quinta-feira, 5 de novembro de 2009

a INCRÍVEL arte do acreditar.

começa abrindo um olho.
para abrir o outro depois, é um pulo.
aí você percebe que seu quarto não é azul de bolinhas brancas, nem sua cama a morada de monstros assustadores.
mas a maior parte do tempo, ficamos de olhos fechados. e por vontade própria.

'..I've spent so long firmly looking outside me
I've spent so much time living in survival mode.' - Precious Illusions - Alanis Morissete

.


'For a fake chinese rubber plant
In the fake plastic earth
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself
It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out
She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns
He used to do surgery
On girls in the eighties
But gravity always wins
And it wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out
She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run
And it wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out
And if I could be who you wanted
If I could be who you wanted
All the time, all the time' - Fake Plastic Trees - Radiohead

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

técnica da cadeira vazia.

Te acalma.
Me acalma.
Não é tão assustador.
Enxuga esse choro, engole essa lágrima, eu estou aqui.
O medo te envolve, meus braços também.
Então, canta que eu canto junto.

Canta que te faz dormir.

Canta que te faz sonhar.

Canta que me faz lembrar.

Minhas mãos enroscam nas suas, minha testa de encontro com seu beijo, eu sempre de encaixe no seu peito, dentro do teu abraço.
Levanta esse sorriso, abre essa cabeça, eu continuo do seu lado.
Meus passos deixando outras pegadas, minha mão escapando da sua, nossos olhares desviados.

Te protege.
Me protege.
Não é escuro assim, e nem você tão sozinha.



'... If I sing a song will you sing along?
Or should I just keep singing right here by myself?
If I follow along does it mean I belong?
Or will I keep on feeling different from everyobody else?...'

domingo, 13 de setembro de 2009

João, Maria e o caminho.

Então eu andei .
Pra frente, pelo menos era o almejado.
Com todos medos, inseguranças. Centenas de dúvidas, algumas certezas.
O que me movia, algo grande. Só eu sabia o quão grande.
Eu te alcancei ou você me alcançou, nao sei, isso não importa.
Andamos juntos um tempo.
Eu tropeçava com a minha falta de jeito, a gente ria.
Você parava, perguntando-se sobre o caminho certo, e eu apenas pegava tua mão.
Não sei em qual parte do trajeto a gente se perdeu.
Como em João e Maria, os pedaços de pão foram deixados pra trás, para sempre lembrarmos de onde tínhamos vindo.
Mas eu não me recordo em qual momento você ficou pra trás, ou pode-se dizer, em qual momento você ficou longe de mim?
Eu te chamei e você parecia não me ouvir.
Eu te chamei e você parecia não QUERER me ouvir.
No meu medo corriqueiro, ajudar era voltar pra te buscar. Pegar pelas mãos ou empurrar se preciso.
Na ansiedade costumeira, eu deveria continuar sozinha, mesmo sem o impulso.
Seu cansaço. Seu novo caminho. Sua espera por mim.
A distância não me deixava saber. Sua voz, agora apenas um sussuro.
Sob nossos pés, um chão arenoso que fazia dos meus passos estranhos e difíceis. Me tornava lenta.
Só assim me percebi sem fôlego.

Foi então que parei mais uma vez.
Assim, com o frio gelado subindo pela minha espinha, eu estou de pé, mas estou parada. Esperando o tal sopro quente e bom no meu pescoço.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

sobre quebra-cabeças...

Eu tenho um bichinho dentro de mim.
Faz das minhas pernas inquietas e minha mente devaneadora.
Rebelde, como antigas juventudes. Doído, como aquele siso que insistiu em nascer.
Não é de silenciar, até quando a burrice o entedia e o medo o angustia (muito).
Faminto.
Especialmente por pessoas. Sim, músicas inspiram mas pessoas incitam; o faz ansiar conhecimento, quebrar a cabeça com as diversidades, dar cambalhotas por conversas!
Insatisfeito.
Atrás de todas possíveis respostas do mundo. Indo de encontro com a falta de lógica para as impossíveis questões de SEU ou seria MEU (?) mundo.
Não adormece quando preciso, tampouco tranquiliza quando seria tempo. Cruel e ditador. Faz de mim um eterno desencaixe, ou faz apenas com que me sinta assim...
Eu tenho um bichinho dividido em mil. Verbos e adjetivos. Que se contradizem e não ornam. Que combinam e harmonizam.
Faz da minha cara confusa, meu tempo questionável, de mim uma bagunça, e não é de estranhar que tudo isso não encaixe perfeitamente em lugar nenhum.



-macaquinhos no sotão, formigas no bum bum, minhocas na cabeça, curiosidade de gato, pensamento nas nuvens, caraminholas.

terça-feira, 7 de julho de 2009

o gato comeu?

Vontade existia tanto quanto a necessidade.
Porém sempre davam um jeito de parar por ali, literalmente entaladas.
Som nenhum se ouvia, e não importava quantas vezes tenha tentado limpar a garganta, tossir.
Contar até '3' e ja teriam se perdido no caminho. Pra variar.
O que impedia de sair afinal?? Qual medo as deixava tímidas, apenas na iminência de realmente não serem esquecidas ou perdidas??
Então pensa, todas as possibilidades e impossibilidades.
Então ensaia, todos tons, caras e bocas possíveis.
Sim, estão aqui, eu sei.
Talvez um som de 'P' ou seria 'A'?
Aquele 'L' que quase escapa, um 'V' engolido de volta....

Palavras. Eu não aprendi a falar.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

desajeito.

E foi assim mesmo, entre os tropeços e batidas de cabeça usuais, entre meus arranhoes e roxos, sem ao menos estar pronta, eu continuei a andar ou posso dizer que comecei a andar.
Eu pensei em nem tentar, pensei muito. Mas logo me vi levantando, de um jeito totalmente sem jeito, pra variar.
Com a cabeça ainda baixa, eu enxergava algo ao fundo, longe, perdido em meio a tanta escuridão, longe mas lá permanecia. Eu realmente precisava alcançar aquilo.
E como chegar tão longe afinal, sem saber andar?
E como chegar tão longe afinal, com meu jeito sem jeito nenhum?
Então, numa piscada pelo meu corpo todo, estavam as marcas que não me deixavam esquecer nem por um instante o resultado de todo aquele desajeito.
Talvez então aquilo ao fundo não exista. Apenas miragem causada pelo meu cansaço, pelas minhas frustações. Talvez eu não precise mais andar, não tenha mais nada a alcançar.
E assim, entre o sopro quente e bom no meu pescoço e o frio gelado subindo pela minha espinha, eu estou de pé, sim.
Mas estou parada.


“Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou”.
Clarice Lispector

domingo, 31 de maio de 2009

ao risco iminente de um ataque de nervos...


Agora, eu trabalho e eu estudo.
Aquilo tudo que minha mãe sempre esperava de mim, pra ficar tranquila, e com certeza pra ter a sensação de que finalmente eu encontrei um caminho certo, de que ELA me colocou no lugar.
Para acalmar a expectativa e a pressão que todo mundo sofre da sociedade e da familia, de que tudo tem uma ordem, regras, que todos devemos continuar seguindo o fluxo, fazer como todas as pessoas sãs e normais fazem. Por que é assim que o mundo funciona.
Terminar os estudos, entrar em uma faculdade, arrumar um emprego....e assim vai, todo mundo conhece o 'caminho' a seguir, e devemos ficar felizes com isso. (porque a vida está andando no seu curso, como tem que ser. 0.O)
Mas eu não me sinto.
E se eu quiser fazer tudo diferente???
Eu faço tudo isso, mas eu não me sinto bem, não é o meu lugar, não me parece o MEU caminho e não é o que eu desejo pra mim. Aliás, eu nem sei o que eu desejo. Então eu continuo seguindo os trilhos, pra satisfazer e não decepcionar as pessoas pra variar.
Eu posso trocar a ordem das coisas? Tirá-las do lugar e dar importâncias diferentes na minha vida??
Me parece que não. Não dá pra gente ser tão utópico assim.
Por isso me sinto tão sempre a beira de um colapso interno, frustrada.

É claro que existem necessidades básicas. Eu TENHO que ter meu dinheiro, não depender de mamãe pro resto da vida, TER algum tipo de cultura, mesmo que nada disso seja meu plano de vida, não dá pra se viver do mundo da Lua. Não quero ser hipócrita e não sou tão idiota assim.
Mas eu realmente queria inverter algumas coisas, não seguir o rumo de todo o mundo, que parece baixar suas cabeças e não QUESTIONAR se as coisas realmente precisariam ser assim.
Sabe?
Eu queria tanto mudar o mundo.
Conquistar o mundo.
Nem que seja apenas o MEU mundo.

'..'Cause you can't jump the track
We're like cars on a cable
And life's like an hourglass, glued to the table
No one can find the rewind button, girl.."